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02/12/2014

O viveirismo com os guarani

O projeto e a construção, em 2007 e a complementação, em 2012, do Viveiro-Estufa da Aldeia Anhetenguá, em Porto Alegre-RS, representou uma experiência única para a bióloga Denise, para a arquiteta Daisy Wolf e para a equipe do IECAM.

O projeto, desenvolvido ao longo de mais de um ano de reuniões com os guarani, reuniu conceitos tradicionais e um padrão de construção de boa qualidade.

Respeitou-se costumes como a orientação solar, o espaço de reuniões, os materiais que eles utilizam em habitações e casas de reza, como o capim Santa Fé, e a localização ideal na aldeia.

A fundação e a estrutura foram construídas visando maior durabilidade e sustentabilidade e a menor manutenção possível, incluindo um sistema de captação e reservatório de água da chuva para irrigar as mudas.

O viveirismo é uma proposta nova, pois nunca havia sido construído um viveiro em uma aldeia guarani. Levou um bom tempo para eles compreenderem a importância de cultivar e plantar nas aldeias as espécies úteis para eles.

Os karaí ou pajés reconheceram o valor da iniciativa e abençoaram o local.

Foram várias etapas até as práticas de viveirismo e, felizmente, os guarani se apropriaram do viveiro chamado por eles de Poarendá (casa ou local das plantas medicinais) ou Yvyrandá (casa das árvores).

Interessante perceber que, quando os guarani começaram a semear e multiplicar as espécies, eles passaram a tratá-las como se fossem filhas: "as plantas tem que ser cuidadas, como crianças, alimentadas, regadas, até crescerem, para irem para a terra, para dar frutos, e para as sementes, com a benção de Nhanderu, serem levadas pelo vento e virarem novas plantas".

Atualmente, com mais de 40 mil mudas plantadas nas aldeias participantes do Projeto Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani, patrocinado pela @petrobras. Outras aldeias, inclusive aquelas que não costumam aceitar intervenções não-indígenas, também querem construir um viveiro. 

Em 2014, além da ampliação do primeiro viveiro, está sendo construído um novo viveiro na Aldeia Yriapú, em Granja Vargas, Palmares do Sul-RS.